Há 5 anos sem programa de castração, Feira de Santana cobra política pública para animais

audiencia-publica-1320x990-1

A ausência de políticas públicas efetivas para proteção animal voltou a ser cobrada em audiência pública realizada nessa quarta-feira (10), na Câmara de Feira de Santana. O encontro, solicitado pelo vereador Pedro Américo, lotou o plenário e reuniu protetores independentes, médicos-veterinários e a Comissão de Proteção Animal da OAB.

A principal cobrança foi a retomada do programa municipal de castração de cães e gatos, que segundo os participantes, está suspenso há cerca de cinco anos.

Vereador cobra tratamento como questão de saúde pública

Ao abrir a audiência, Pedro Américo afirmou que a causa animal precisa ser encarada pelo poder público como prioridade de saúde, meio ambiente e humanitária.

> “Se a gente entender que é uma causa de saúde pública, de meio ambiente e humanitária, e a sociedade abraçar isso de verdade, o poder executivo vai investir para buscar uma solução”, declarou.

O parlamentar disse que já há compromisso firmado com o prefeito José Ronaldo e com o secretário de Saúde, Rodrigo Matos, para iniciar um programa ainda este ano. Para ele, a medida precisa ser acelerada com convênios com clínicas particulares.

> “A gente precisa urgentemente de uma política pública efetiva de castração, de manejo populacional de cães e gatos de rua”, afirmou.

Pedro Américo também defendeu remuneração para quem já faz o trabalho na ponta:

> “Eles estão realizando a política pública. Eu defendo que o poder público pague um salário para que os protetores continuem fazendo o trabalho que estão fazendo.”

“Proteção não é bonitinha como na TV”

O depoimento mais contundente veio da protetora Karine Rocha, que atua há mais de 20 anos e mantém hoje cerca de 160 animais em casa. Ela relatou o esgotamento físico e financeiro dos protetores independentes.

> “Proteção animal não é aquela coisa bonitinha que a gente vê na televisão. Ela é ardida, doída, dolorosa, principalmente para quem vivencia 24 horas”, relatou.

Castração como prioridade

Para o setor técnico, a castração é o ponto de partida. Ilma Carla, da Associação dos Médicos Veterinários de Feira e Região (ASMEV), defendeu que o município use a estrutura que já existe.

> “Precisamos utilizar as clínicas e hospitais presentes na cidade”, afirmou.

Na mesma linha, a advogada Ticiana Sampaio, da Comissão de Proteção Animal da OAB, sugeriu a contratação de clínicas por cotas mensais e um levantamento prévio da população de rua.

> “Primeiro precisa fazer um mapeamento para entender a quantidade de animais que estão em situação de abandono”, explicou.

Ticiana também citou o aumento de conflitos em condomínios envolvendo animais comunitários e reforçou que a culpa não é da rede de proteção:

> “A gente não está aqui acusando, coagindo. A gente quer resolver. Porque os animais estão sofrendo e a rede de proteção está sofrendo.”

Ao encerrar, Pedro Américo comparou a audiência atual com outra realizada há quatro anos, quando apenas três pessoas compareceram.

> “Hoje foi casa cheia. Então tem gente escutando, tem gente ouvindo e a gente vai continuar falando”, declarou.

Foto : Amaury Ponce JR
foto Foto : Amaury Ponce JR
Amaury Junior é responsável pelas informações e imagens apresentadas nesta postagem.Radar News não se responsabiliza pelo conteúdo publicado.